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Qual foi o último livro que você leu até o final, Reader? Eu começo: Coisa de rico, a vida dos endinheirados brasileiros, uma delícia de leitura do Michel Alcoforado. É um daqueles livros que você lê em um tiro só, de tão gostosa que é a leitura. Recomendo, inclusive, fortemente, se você quer entender o Brasil do ponto de vista de cima da pirâmide. Mas o livro do Michel, em si, não é o assunto desse e-mail (especial), mas a pergunta que te fiz. E por que pergunto isso? Bom, primeiro porque vou começar um novo projeto esse ano e seria interessante poder contar com você. Segundo, porque outro dia eu estava na praia e uma senhora veio falar comigo, um tanto quanto assustada. Fiquei olhando você de longe, você está aí há mais de uma hora, olhando para o mar, não pegou o celular nem uma vez, não pegou um livro, simplesmente ficou olhando o mar.. Qual o seu segredo? Eu confesso que ri um pouco. Porque não é a primeira pessoa que me aborda com esse tipo de "dúvida". De fato, Reader, é difícil encontrar alguém hoje em dia que não está com o celular grudado nos olhos. Em geral, metido em alguma rede social. Eu confesso que era assim até ter um ataque de pânico em um final de semana chuvoso em 2021. Estava com um problema pessoal na época um tanto quanto grave e fiquei abrindo e fechando o WhatsApp de 5 em 5 minutos... Até que meu coração começou a disparar mais forte e eu senti que o ar me faltava... Mesmo eu sentado, totalmente parado, sem fazer nenhum esforço físico. Meu batimento chegou a ir a 120 nesse dia. E eu me vi infartando até que tomei a decisão de sair no meio de um imenso temporal para deixar o celular no escritório. Fui e voltei a pé de um escritório que ficava a mais ou menos 2km de casa. Quando cheguei, tomei um banho quente e, enfim, relaxei. Aquele ato simples de saber que eu não poderia mais "conferir" o WhatsApp teve o efeito de liberar minha mente. Deitei, então, no sofá e comecei a folhear alguns livros, até que abri O Poder do Agora, de Eckhart Tolle. Já tinha ido e vindo com ele várias vezes, mas nunca conseguia terminá-lo. Aliás, desde a pandemia, os meus circuitos estavam meio bloqueados. De leitor voraz, do tipo que lia até 10 livros em um mês, passei a não conseguir me concentrar em um parágrafo. Após aquele evento traumático, com o celular longe, consegui ler algumas páginas do Tolle e relaxar. Apreciar a leitura e depois pensar sobre ela com uma música ao fundo. Depois desse dia, resolvi procurar ajuda profissional e tratar uma depois diagnosticada TAG: Transtorno de Ansiedade Generalizado. Uma doença que mantinha controlada até a pandemia, mas que com ela, acabou se agravando bastante. O tratamento que comecei a fazer desde então inclui exercícios e meditação. Então, desde aquele dia do meu ataque de pânico, mantenho o hábito saudável de ficar ao menos 2h todos os dias longe do celular. Meditando na praia, de preferência, olhando o ir e vir das ondas, ouvindo o barulho do mar. É a forma que basicamente controlo meu cérebro, lido com minha ansiedade e me preparo para os desafios do dia a dia. Inclusive, para as leituras do meu dia a dia. Leituras que voltaram, então, a todo vapor. De novo, criei momentos de leitura. Pela manhã, gosto de ler os livros técnicos da profissão. Entao, aqui vai SQL, Python, IA, Agentes, LLMs, etc, etc. A cabeça tá fria e os conceitos entram mais facilmente. À medida que o dia vai passando e os problemas vão acontecendo, preciso fazer aquela pausa de 2h para meditar e deixar novamente a cabeça tranquila. Então, depois de tudo que tenho que fazer à tarde e à noite, é hora de "ler coisas aleatórias", desde livros como Yoga para Ansiosos até um tema que amo: biografias. Devagar, todo dia, uma hora pela manha, uma hora à noite, vou dando conta dos livros que gosto e dos que preciso ler. Mas, antes de tudo, acho importante se preparar para ler. Se ler é um hábito, penso que não ler é uma decisão. A gente vai levando, vai levando, até que o tempo passa e você não leu se quer um livro. Então, muito antes de tentar adquirir o hábito de ler e mesmo que você não tenha ansiedade grave como eu, acho que seria legal se preparar para se apropriar das leituras que faz no dia a dia. E torná-las acionáveis a qualquer momento da sua vida. Afinal, ler por ler, só para dizer que está lendo, não é tão interessante assim. Leituras precisam ter impacto na sua vida, na forma como você age e toma decisões. Se forem leituras técnicas, então, isso é ainda mais importante. Porque para essas, não dá para "deitar no sofá depois de um banho quente"... É preciso ter um método específico para esse tipo de leitura... Vou te contar no próximo boletim qual é o meu. Enquanto isso, me diga, qual foi o último livro que você leu até o final? Perdeu alguma edição anterior do Boletim AM? Sem problemas. Leia as edições anteriores tocando aqui |
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EDIÇÃO #192 | NEWSLETTER SEMANAL DA ANÁLISE MACRO Tokens: o custo de pensar com IA Fala, Reader, bora pra mais uma semana? Domingo aqui em casa, café na mão, pensando em como te explicar uma coisa que vejo gente competente errar toda semana: a conta da IA. Não é trivial. E ficou ainda mais urgente nos últimos dias. O Google anunciou que processa hoje 3,2 quadrilhões de tokens por mês — sete vezes mais que há um ano. A Anthropic gasta US$ 1,25 bilhão por mês só alugando capacidade...
Edição #191 Newsletter Semanal da Análise Macro Um agente de IA para Reader Pensa numa semana típica do seu trabalho. Talvez você precise escrever um relatório macro em cima de três decks de apresentação do BC, dois e-mails do operador e quatro reports de research acumulados desde quarta. Talvez precise fechar um parecer contábil sobre seis balanços trimestrais e os releases de resultado que vieram junto. Talvez seja um material para o comitê de investimentos, uma nota para clientes, ou um...