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Fala, Reader, bora para mais uma semana? Na semana passada, tive um almoço rápido com um grande amigo dos tempos de faculdade que trabalha no mercado (financeiro). Estava se preparando para as férias. O último suspiro antes das eleições. Entre os muitos assuntos do almoço, um me chamou atenção... Meu amigo é um veterano do mercado, já com mais de dez anos no front. Hoje ocupa o cargo de economista-chefe em uma gestora de recursos. Bem formado, inglês fluente, mas... Ansioso com os efeitos da Inteligência Artificial sobre o seu emprego. Sim, isso mesmo que você ouviu. Mesmo ele, uma pessoa muito bem empregada e em um dos setores mais intensivos em capital (humano) do mercado, está com medo da IA. É normal sentir medo daquilo que não conhecemos. E, talvez, o medo do meu amigo também seja o seu próprio medo, Reader. Converso muito, aliás, com meus mentorados sobre isso. Alguns deles estão no mercado, assim como o meu amigo. A reunião inicial é sempre povoada de algum medo. Muitos, inclusive, só se moveram ou tomaram a decisão de se matricular nas nossas formações e no AM Black por medo de perder o emprego. Afinal, vivemos um hype envolvendo Inteligência Artificial, programação, análise de dados, etc. E, sim, existe muita incerteza sobre o que de fato pode ocorrer nos próximos anos. A própria definição de inteligência artificial geral parece aberta entre os especialistas. O que sabemos até aqui?Mas, uma coisa é certa: todo esse novo mundo veio para ficar. Um relatório do BIS publicado em fevereiro sobre o efeito da IA em países emergentes fez um resumo de diversos estudos que investigam aumento de produtividade em diferentes tipos de tarefas. O gráfico abaixo ilustra. No lado esquerdo, temos o efeito, em percentual, sobre a produtividade de diferentes tarefas. Tarefas de consultoria, por exemplo, parecem ter um aumento de produtividade próxima a 20% para consultores seniores e 40% para consultores iniciantes. Em Coding, o impacto de produtividade é ainda mais relevante, chegando a mais de 60% para posições juniores. Trocando em miúdos, o que isso significa? A IA aumenta a produtividade do trabalho. A evidência disponível até aqui deixa isso claro, como você pode ver acima. Blz, a IA aumenta produtividade, mas qual o efeito disso?A pergunta relevante, portanto, é qual o efeito disso no mercado de trabalho? E depois, sobre a economia? Essas são perguntas em aberto. Como o gráfico acima mostra, a IA tende a reduzir diferenças entre posições iniciais (cargos juniores) e posições finais (cargos seniores) no mercado, a ponto de alguém (ou alguns) propor o "fim das vagas para analista jr". É uma tese, ainda com pouca evidência. O fato concreto é que saber usar IA no dia a dia já é um diferencial competitivo importante para os profissionais. E esse é o ponto relevante que queria explorar aqui. Uma vez que o profissional se coloca a estudar e a aplicar IA no seu dia a dia, o medo passa e o seu trabalho passa a ser feito de uma forma extremamente mais produtiva. Você passa a parar de perder tempo com atividades rotineiras, que podem ser automatizadas, e passa a se concentrar em coisas mais analíticas, que dependem do julgamento humano. A IA pode roubar seu cargo, mas se você souber usá-la, poderá construir uma nova carreira totalmente diferenteNo fim do dia, não posso dizer que a IA não roubará o seu cargo ou posição. Mas o que posso falar, com base na melhor evidência disponível, é que quem sabe usar IA poderá construir empregos que ainda não existem. Então, assim como em qualquer revolução anterior, o mais prudente é se adaptar. É o que fizemos por aqui na Análise Macro ao longo de todo o ano passado, com diversos workshops e trilhas sobre o efeito da IA em economia e finanças. Percebemos uma coisa interessante com isso: o mercado financeiro, de modo geral, ainda está reagindo como o meu amigo do almoço. Há ainda muito desconhecimento sobre o assunto. O que é estranho já que as evidências disponíveis mostram que o mercado financeiro é um dos mercados mais expostos à IA. O início desse ano, contudo, tem mostrado que há um interesse renovado por IA dentro de empresas e, por consequência, entre profissionais. Parece que agora a coisa vai engatar. E você, ainda esperando ou já começou a explorar esse novo mundo? Exercício da Semana: COMO CALCULAR PARIDADE DO PODER DE COMPRA PARA O BRASIL USANDO O PYTHONA Paridade do Poder de Compra (PPP, Purchasing Power Parity) constitui um dos pilares fundamentais da macroeconomia internacional para a determinação de taxas de câmbio de longo prazo. Proposta formalmente por Cassel (1918), a PPP fundamenta-se na Lei do Preço Único, postulando que, na ausência de barreiras comerciais, custos de transação e impostos, bens idênticos devem apresentar o mesmo preço em diferentes mercados quando expressos em uma moeda comum. Com base na PPP, publicamos um exemplo de como usar o Python no dia a dia. O exercício tem como objetivo operacionalizar empiricamente a Paridade do Poder de Compra no contexto brasileiro pós-regime de câmbio flutuante, utilizando dados mensais e ferramentas em Python para construir, comparar e interpretar diferentes medidas de equilíbrio cambial de longo prazo.
A parte mais legal do exercício - ao menos para mim - é a coleta e tratamento dos dados, claro. Nesse caso específico, precisamos fazer diversas transformações nos dados, de modo a poder calcular uma medida bem interessante que é o desalinhamento cambial, i.e., a diferença entre a taxa de câmbio real e a sua média histórica. O script completo estará disponível para alunos das formações e AM Black, como de praxe, aqui, no Clube AM. Perdeu alguma edição anterior do Boletim AM? Sem problemas. Leia as edições anteriores tocando aqui |
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Olá, Reader, como foi o final de semana? A edição 182 do Boletim AM está no ar! Quando eu comecei nesse negócio lá em 2015, a profissão de Cientista de Dados ainda não era muito conhecida no Brasil. Na verdade, o termo ciência de dados nem era muito usado. Era tudo mato alto. No mundo particular dos economistas e da análise de dados econômicos e financeiros, então, a coisa era feia. Séries temporais regulares, com mais de 100 observações, era luxo. Afinal, o país que começou a vencer a...
Olá, Reader, como foi o final de semana? A edição 181 do Boletim AM está no ar! Após algumas semanas de férias, voltei a atender alunos aqui na Análise Macro. São momentos importantes para mim porque entendo exatamente como posso melhorar nossos produtos. Ou, produzir novas soluções para os problemas e demandas que vocês têm. E aqui, os alunos se dividem basicamente em dois grupos: iniciantes e avançados. O primeiro grupo, em geral, é formado por estudantes ou profissionais de mercado que por...
A edição 180 do Boletim AM está no ar! Olá, Reader, como foi a semana por aí? Por aqui, as coisas foram bem agitadas. Recebi a notícia de que fui aceito no Doutorado em Economia da Fundação Getúlio Vargas. Você não sabe o quanto eu fiquei feliz com isso. Há mais de 10 anos, lá estava eu, um menino com 32 anos, defendendo a dissertação de mestrado Clareza da Comunicação e Expectativas de Inflação: evidências para o Brasil. Na Banca, meus professores da Universidade Federal Fluminense da área...