Sua faculdade de economia não é suficiente


Olá, Reader, como foi o final de semana?

A edição 173 do Boletim AM está no ar!

Já parou para pensar no que você teve que aprender por fora desde que saiu da faculdade?

Tenho pensado nisso ultimamente.

Talvez enviesado pelas muitas mensagens que recebo de alunos de graduação perdidos.

Em um mundo em acelerada transformação, a universidade se tornou um museu de grandes novidades, na maioria das vezes.

E, aqui entre nós, os alunos e o mercado de trabalho estão sentindo isso na pele.

Outro dia, um grande amigo, economista-chefe de um dos maiores fundos do país me disse:

"Só chega estagiário aqui que só sabe jogar no GPT"

Ele estava procurando alguém para um vaga super legal, de estagiário de research macro.

É a porta de entrada para uma das melhores vagas do mercado financeiro.

Além de um bom conhecimento em macro, obviamente, o candidato ideal para uma vaga dessas precisa saber lidar com dados econômicos e financeiros.

Saber onde estão esses dados, para começo de conversa.

Depois, saber tratar esses dados, como sazonalidade e construir transformações como acumular em 12 meses, criar uma variação interanual, médias móveis e fazer uma análise exploratória desses dados em gráficos.

O mercado financeiro, a propósito, ama gráficos.

Agora, me diga:

quais faculdades de economia ensinam os alunos a fazer isso que acabei de listar?

Nem falei de programação ainda, viu.

Por enquanto, estamos no terreno do básico (do básico).

O feijão com arroz da análise de dados econômicos e financeiros.

E já reprovei praticamente todas as faculdades de economia do país.

Sobraram apenas algumas poucas onde os alunos estão se virando em laboratórios de macroeconomia, monitorias, projetos especiais, ligas de mercado financeiro e grupos de estudo para aprender esse basicão aí.

Ainda são raras as faculdades com disciplinas obrigatórias de programação e análise de dados.

Então, para aquela vaga do meu amigo, um bom candidato precisaria saber coletar e tratar dados econômicos e financeiros em uma quantidade razoável.

Isso porque, leitor, no mundo real, um bom estagiário de macro vai conectar a API de fontes como IBGE, OCDE, FMI, Banco Central, FED, FRED St Louis, BLS, etc, etc...

Com isso organizado, o meu amigo vai pedir:

"Me dá um gráfico que relaciona o número de vagas nos Estados Unidos com o S&P 500"

E ele que se vire para (1) achar os dados, (2) tratar os dados e (3) construir um gráfico bonitinho.

Veja, Reader, eu não falei nada (ainda) sobre matemática, estatística, econometria e machine learning.

Também não falei nada (ainda) sobre conhecimentos de engenharia de dados - algo cada vez mais usado no mercado econômico brasileiro.

Também não falei nada de Inteligência Artificial.

Até aqui, estamos falando de coisas básicas que 90% das faculdades de economia (ainda) não consegue entregar.

Isso é assustador - ao menos, para mim, que acompanho o mercado de ensino há pelo menos 10 anos.

Na revolução que estamos assistindo, o mínimo que precisa ocorrer nesses lugares é uma espécie de "sacode geral".

É algo que vou falar, a propósito, no primeiro workshop desse ano, na próxima terça-feira.

Você pode saber mais aqui.

Quero falar sobre as habilidades desse novo economista.

O que, afinal, um bom profissional precisa para dar conta do recado nesses novos tempos?

Vai servir tanto para você que ainda está na graduação, mas também para profissionais com grande experiência de mercado, mas sem conhecimento sobre esse "novo mundo" que se abriu nos últimos anos.

Ele abre nossa agenda de 2026 e dialoga justamente com o que queremos esse ano: seguir transformando a vida das pessoas.

E quem sabe convencer nossos professores a mudar as grades de nossas faculdades?

Seria um baita avanço.


Um abraço,
Vítor Wilher — Análise Macro
A verdade está nos dados

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